
Ilustração: Leonardo Eugênio da Silva
Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça. (BLOCH)
A célebre frase citada acima foi retirada do livro Apologia da História ou Ofício de historiador, escrito por Marc Bloch, famoso historiador e fundador, junto com Lucien Febvre, da Revista dos Annales. Bloch escreveu a obra no período em que se encontrava preso, em território francês, pela Gestapo. Por ter sido morto antes do fim da Segunda Guerra Mundial, Marc Bloch não pôde organizar, revisar e terminar sua escrita, tarefa que foi realizada por Lucien Febvre e posteriormente por seu próprio filho.
Apologia da História ou Ofício de historiador é um livro muito difundido e relevante até os dias de hoje nos cursos de História. Se não consta como leitura obrigatória na grade curricular, o que é muito difícil, provavelmente o graduando em História vai receber a dica de leitura por parte de algum docente ao longo da sua vida acadêmica.
Na obra, Marc Bloch discorre sobre diversas questões que permeiam o ofício do historiador, como: objetos, escolhas, métodos, vícios etc. A famosa comparação, entre o ogro da lenda e o historiador, surge como uma sacada muito feliz que o medievalista francês elabora em uma passagem de sua escrita. Feliz porquê define muito bem essa busca do historiador, como um predador, pelo rastro humano, sempre farejando e procurando aquilo que a espécie humana criou, tocou e modificou no tempo.
A frase tratada assegura, portanto, exatamente um dos pontos cruciais que essa geração dos Annales defendeu: o homem no tempo enquanto objeto de estudo. São as ações do homem, personagem principal da História, ao longo tempo, que é o enfoque dessa primeira geração. É nesse sentido, que esse historiador, o ogro, se torna uma metáfora toda especial para se pensar as ideias inovadoras trazida pelos Annales.

*Ana Beatriz Vargem Pinheiro, 18 anos, graduanda em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Possui interesse em áreas relacionadas à História Antiga e Antiguidade Tardia, que retratem o imaginário romano.

*Leonardo Eugênio da Silva, graduando no 2º período em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Possui uma vida paralela como Designer Gráfico e ilustra nas horas vagas. Suas áreas de interesses são: relações entre comunicação visual e História, Brasil contemporâneo e América Latina contemporânea.
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